Ansiava ser pássaro,
Voar e planar,
Libertar e sentir,
Sem nunca pousar.
No cume mais alto,
Meu ninho estaria,
Doce a amarga solidão
Que a verdade libertaria...
Vivendo sem tempo,
Nun chilrear em melodia,
Nesse sonho feito de vento,
Jamais voltaria
Ser gente dói,
Seca e magoa.
Ser gente corrói
Cá dentro…e o eco soa!
ALEXANDRA MARQUES, in A VOZ DO SILÊNCIO (Edições Esgotadas, 2011)
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Veste-me a seda

Veste-me a seda
das tuas mãos
serenas
Veste-me a roupa quente da tua pele
e aperta-me com o cinto dos teus braços
no lugar onde o meio traz cansaços
Evita que na ausência de ti gele
Recorta-me
em pequenos pedaços
Ata-me em laços
e guarda-me no coração
antes de saíres para o mundo
e bater no fundo
da traição que te apetece
EDGARDO XAVIER, in AMOR DESPENTEADO (Casa das Cenas, 2007)
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES (2001), in POESIA REUNIDA Quetzal, 2012)
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES (2001), in POESIA REUNIDA Quetzal, 2012)
Subscrever:
Mensagens (Atom)