Caminho rendido nas palavras ao vento
seguindo em teus lábios os passos atados
como a lua vendida às dores do desejo
como as ondas seguindo no calor dos teus braços.
O fogo ateado em teus olhos nascido
rebento que cresce das raízes da mão
traz o verso que a vida tem esquecido
porque este sem mim não tem emoção.
Os murmúrios escondidos que teu ventre aquecem
são segredos lembrados que a memória não lembra
são lágrimas engolidas que teu corpo enternecem
são vida esquecida no teu coração.
Perdoa-me, amiga, por não ser quem sou
perdoa-me se te dou a mão
perdoa-me se te trago o vento
perdoa-me o que te der então.
Entre o verde dos teus olhos tua tez se ilumina
é loucura que aperto e não quero largar
abro os ouvidos ao teu nome despido
rio nascido que cresce para o mar.
José Maria Almeida
sábado, 1 de dezembro de 2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
I Got Dreams To Remember - Otis Redding
http://youtu.be/Ooqqj6q1MeU
domingo, 25 de novembro de 2012
Blues da morte do amor
já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida,
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.
a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.
há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
Vasco Graça Moura
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida,
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.
a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.
há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete: — morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
Vasco Graça Moura
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