Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho...
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho...
Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada...
E a minha cabeleireira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho...
Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci...
Tens sido vida fora o meu desejo
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei... se te perdi...
Florbela Espanca
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Ao perder a ti, tu e eu perdemos
Ao perder a ti,tu e eu perdemos.
Eu,
porque tu eras a que eu mais amava
E tu,
porque eu era o que te amava mais
Contudo,
de nós dois tu perdestes mais do que eu
Porque eu poderia amar outra como amava a ti
Mas a ti jamais te amarão como eu te amei.
Ernesto Cardenal
Eu,
porque tu eras a que eu mais amava
E tu,
porque eu era o que te amava mais
Contudo,
de nós dois tu perdestes mais do que eu
Porque eu poderia amar outra como amava a ti
Mas a ti jamais te amarão como eu te amei.
Ernesto Cardenal
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