Em ti o chão exausto de meu desejo. A flor aberta
dos sentidos. A calidez do lume. A água. O vinho.
O sangue a estuar em fúria. O grito do sol
que em transe de labareda fulge e irradia.
A extensão de tantos vales
e colinas. Fragrantes. Infinitas.
Os pomos saborosos, repartidos.
Os gomos. Os sumos ardorosos.
Os bosques impregnados de maresia.
A placidez molhada das ervas.
O luzir loiro das searas pelo vento devastadas.
O estio. O seu zénite. A sua vertigem.
Em ti a inclinação dos ramos. A translucidez do verde.
O derrame da seiva. O estremecer das raízes.
O musgo despontando. O aveludado dos troncos.
Os álamos. Os plátanos. E outras núbeis melodias.
O espreguiçar incandescente dos rios.
O êxtase das aves altas anunciando o fervor
de um beijo. De um afago. De uma carícia.
O hálito das corolas. As sépalas. Os estames.
O brilho e o odor silvestre da resina. A relva sedosa.
A primavera inebriada com sua própria brisa.
Em ti o menear da terra. As eiras. O feno flamante.
O irromper dos brotos. O despertar dos cálices.
A embriaguez do nardo. E da acácia, festiva.
O matiz das cores na várzea repercutido.
O som dos mananciais posto a descoberto.
O manar das fontes em euforia.
Os céus azuis a derramarem hinos.
O trinado agudo da andorinha.
O acenar obstinado dos choupos.
As centelhas rubras do crepúsculo.
O perfume juvenil das vinhas.
Em ti o delírio das ondas. Das espumas.
As fogueiras ateadas. Os aromas fulvos.
O sopro das chamas. O pão aceso. As espigas.
Os campos de lilases que se estendem
numa queimadura de aurora.
As pétalas humedecidas.
O incêndio azul do orvalho.
A alvura da açucena na manhã florida.
Em ti, amada, celebro a memória de todas as coisas vivas.
Gonçalo Salvado
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Rimar contigo...
Hoje apetece-me
Que rimes comigo...
Que cada olhar meu
Encontre no teu
Um desejo comum
De poesia sem palavras...
Que cada passo juntos
Na interminável jornada
Nos faça tropeçar
Sempre na mesma quadra
E no mesmo verso
Do entrelaçar das nossas mãos...
Que em cada beijo trocado
Haja um soneto inacabado
No prazer das estrofes
Ainda por inventar...
E também na prosa solta
E na métrica contida...
Do poema AMOR
Que fazemos vida..
Grácia Nunes
Que rimes comigo...
Que cada olhar meu
Encontre no teu
Um desejo comum
De poesia sem palavras...
Que cada passo juntos
Na interminável jornada
Nos faça tropeçar
Sempre na mesma quadra
E no mesmo verso
Do entrelaçar das nossas mãos...
Que em cada beijo trocado
Haja um soneto inacabado
No prazer das estrofes
Ainda por inventar...
E também na prosa solta
E na métrica contida...
Do poema AMOR
Que fazemos vida..
Grácia Nunes
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Sabes?
- Sabes como se escreve amor?
- Sim… Assim… Uhmmmmmmmmm
- Sabes como se diz amor?
- Sei… assim… Uhmmmmmmmmmmm
- Sabes como se dá amor?
- Penso que é… assim… Uhmmmmmmmmmm
- Ouve lá… mas tu sabes escrever?
- Sim… com uma caneta… assim… Amo-te!
José Luís Outono
- Sim… Assim… Uhmmmmmmmmm
- Sabes como se diz amor?
- Sei… assim… Uhmmmmmmmmmmm
- Sabes como se dá amor?
- Penso que é… assim… Uhmmmmmmmmmm
- Ouve lá… mas tu sabes escrever?
- Sim… com uma caneta… assim… Amo-te!
José Luís Outono
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