segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Morrer de amor é assim

Quem morre de tempo certo
ao cabo de um certo tempo
é a rosa do deserto
que tem raízes no vento.

Qual a medida de um verso
que fale do meu amor?
Não me chega o universo
porque o meu verso é maior.

Morrer de amor é assim
como uma causa perdida.
Eu sei, e falo por mim,
vou morrer cheio de vida.

Digo-te adeus, vou-me embora,
que os versos que eu te escrever
nunca os lerás, sei agora
que nunca aprendeste a ler.

Neste dia que se enquadra
no tempo que vai passar,
termino mais esta quadra
feita ao gosto popular.


Joaquim Pessoa

sábado, 1 de dezembro de 2012

Amo um anjo

Caminho rendido nas palavras ao vento
seguindo em teus lábios os passos atados
como a lua vendida às dores do desejo
como as ondas seguindo no calor dos teus braços.

O fogo ateado em teus olhos nascido
rebento que cresce das raízes da mão
traz o verso que a vida tem esquecido
porque este sem mim não tem emoção.

Os murmúrios escondidos que teu ventre aquecem
são segredos lembrados que a memória não lembra
são lágrimas engolidas que teu corpo enternecem
são vida esquecida no teu coração.

Perdoa-me, amiga, por não ser quem sou
perdoa-me se te dou a mão
perdoa-me se te trago o vento
perdoa-me o que te der então.

Entre o verde dos teus olhos tua tez se ilumina
é loucura que aperto e não quero largar
abro os ouvidos ao teu nome despido
rio nascido que cresce para o mar.


José Maria Almeida