segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Longe de ti

Longe de ti
E no pensamento
Sei-te na pele que despi
A alma suspira com asas no tempo
E por ti renasci

Adormecem os dias...acordam as noites

Respiro-me para não te perder…
No silêncio onde te abraço
Toco-te (me) o desejo por mãos nuas... insanas
Guardo-te na nudez para não te esquecer
Sentidos apurados despem-se no espaço

Embebida no licor da tua boca...Eva pecadora
Nua e carinhosa,docemente maldosa...delicada
Amo-te...sonhadora

Na memória do corpo o tempo é frenesim
E tu...o infinito
Num voo dentro de mim

É no desejo da minha solidão, que oiço a saudade que grita por ti …

 

Paula Oz

domingo, 24 de junho de 2012

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Minha ousadia
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.


José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O amor, um dever de passagem

Fui envenenado pela dor obscura do Futuro,
Eu sabia já que algo se preparava contra o meu corpo,
agora torço-me de agonia
nos versos deste poema.
Esta é a terra outrora fértil que os meus dedos dilaceram.
Os meus lábios são feitos desta terra,
são lama quente.
Vou partir pelo teu rosto para mais longe.
A minha fome é ter-te olhado
e estar cego. Agora eu sei que te abres para o fogo
do relâmpago.
Tenho a convicção dos temporais.
já não sei nem o que digo nem o que isso importa. Guia
dos meus cabelos rasos, da melancolia,
da vida efémera dos gestos.
Nesse dia fui melhor actor do que a minha sinceridade.

A cesura enerva-me no estômago.
Cortei de manhã as pontas dos dedos mas sei já que
elas crescerão de novo a proteger as unhas.
Talvez a vida seja estranha.
talvez a vida seja simples,
talvez a vida seja outra vida.
A linha branca da Beleza é a minha atitude que se transforma.
A violência do sono sobe
sobre o meu conhecimento.

Fui algures um horizonte na secessão das pálpebras.


Nuno Júdice